quarta-feira, abril 01, 2026


 

abril desfolhado



a tela já não é sinfonia
nem as aves gritam como qualquer papoila
num campo distante


não há forças para sonhar
tudo afasta a magia da alquimia


cheira a vida parada, calada…


onde andas abril?



helena maltez

quinta-feira, maio 15, 2025

rosto...


 

rosto em silabas



as artérias estão vazias dentro de mim.
escuto gritos sucessivos
e a sede é abandono em dias inúteis.


o tempo é monologo no silêncio
oca dilui-me em silabas.
confundido o corpo estaciona dormente.


no meu rosto um mar,
um olhar indefinido
embutido num sonho ritmado.


há esperas que extravasam a morte.
sobrevoam o mistério
nas horas transparentes dos teus passos.


volitam sombras que embalam a vida
dos nossos caminhos…



helena maltez 

segunda-feira, maio 12, 2025

fecho os olhos...


 

fecho os olhos
faço a viagem até ti
conjugo o nosso verbo
                
              
os sonhos embalam a noite
a saudade toca no silêncio do meu corpo
                          
               
fica o desejo de adormecer nos teus braços.
                
         
especulo um recomeçar...
                 
            
perco-me no sabor dos teus beijos
e derramo em todos os espaços
pedaços de imagens
em que já não me reconheço
                      
        
escrevo nessas imagem de avesso
sei que não as entendes

                  
teceste o meu coração,
sem chão bailo sozinha...
oiço teus passos à porta do quarto,
entre sombras carnais

    
ateia queima o corpo que cai sem luz e sangra...
       
      
helena maltez 

quinta-feira, abril 24, 2025

os silêncios são uma prece…



 

os silêncios são uma prece…
escuto-os dentro das noites que atravesso!
prendo-me ao rumor do vento
quero um dia limpo,
na vertigem de qualquer voo…
o silêncio é arte,
na melancolia das palavras,
invento um nada onde morar,
e a minha voz procura a tua atenção…
combalida há um espaço inventado,
não protesto nada, mas procure-te
nas sombras que sobejam,
e reclamo na morrinha de qualquer espaço…
a porta não tem arte,
inflama o corpo e a alma
tento gostar da madrugada,
no desejo renovado de uma duvida

sou outra na tua ausência,
a que te ama no clarão da lua….



helena maltez


quinta-feira, abril 10, 2025


 

o teu sorriso



no esplendor de uma suave explosão
chega a mim o teu sorriso.
aflui com emoção e calor,
como sonhos mesclados nos encantos
do sorrir de um menino.

avulta o carinho,
entre peripécias, na floresta dos encantos.

há um toque afectivo de sensualidade
dentro das palavras perdidas,
no trilho da agitação.

nas linhas do teu rosto,
há a ténue hesitação
de um proteger que me rasga
nos espelhos latejantes,
onde deambulo na saliva de uns lábios.

então rendo-me à fonte do teu sorriso
em metades de nós…



helena maltez

segunda-feira, abril 07, 2025

bebi o frio



bebi o frio

hoje o dia não teve o sabor da primavera
o sol foi de inverno.
para me aquecer por dentro
deambulei pelas avenidas,
em busca de uma voz,
a tua.
continha frio na alma.

tinha sede de ti.
queria saciar aquela secura,
com a tua voz.
a secura me cortava a faringe,
bebe-la até ficar farta.

rasguei a visão
e sem folgo
emaranhei-me nas linhas do dia.
os gestos moldavam a solidão,
toquei a tua ausência
e o folgo foi desejo da tua ternura.

perdi a idade, os meus 18 anos
arrefeceram, resvalaram no teu corpo
só existe o murmúrio de um amar
em palavras guardadas por mim

já tudo me falta
até o ombro infindável das ilusões

e a saudade existe por termos estado juntos.

helena maltez


quinta-feira, janeiro 30, 2025


 saudade...
          

há tanta saudade em mim...



há tanta saudade de ti...



há tanta saudade de nós!



sim saudade dos sentires...
de conjugar o verbo do sentir,
do querer,
de conjugar verbos banais...



saudade da ausência
do toque na pele



saudade do caminhar na loucura das emoções...




helena maltez

  abril desfolhado a tela já não é sinfonia nem as aves gritam como qualquer papoila num campo distante não há forças para sonhar ...